Doenças Vasculares

30 11 2007

São alterações na estrutura valvular, de diferente origem, que ocasionam um funcionamento inadequado e, como consequência, uma anormal função do coração como bomba. Podem ser devidas a estreitamento valvular (estenoses) e/ou ao seu fechamento inadequado, ocasionando regurgitação (insuficiência).

 Em pessoas jovens a válvula mais frequentemente afectada é a mitral, enquanto em pessoas maiores é a aórtica.  

Causas:  

Existem diferentes causas destas doenças. Até alguns anos a causa mais frequente era a febre reumática. Uma doença de carácter imunitário em relação com uma infecção por estreptococo. Na actualidade, a causa mais frequente é a degenerativa em relação com a idade e com diferentes tipos de alteração degenerativa do tecido valvular. Também pode ser de origem infecciosa em consequência de uma endocardite infecciosa.  

Em ocasiões, quando existe falta de irrigação do músculo cardíaco (doença coronária) pode alterar-se o funcionamento valvular, fundamentalmente da válvula mitral. Existe a possibilidade de malformação valvular desde o nascimento (congénita) sobretudo da válvula aórtica. Raramente podem afectar-se as válvulas nas alterações do tecido conectivo ou doenças reumáticas. 

Sintomas: A manifestação fundamental destas doenças é a insuficiência cardíaca, com aparição de dificuldade respiratória, cansaço, inchaço das pernas, sobretudo na zona dos tornozelos. Também pode aparecer dificuldade respiratória mais ou menos repentina, ou ao deitar-se, melhorando ao depois e obrigando o paciente a permanecer sentado. Em outras ocasiões podem aparecer palpitações, perda de conhecimento ou síncope, bem como dor ou sensação de opressão no peito.  

Como se diagnostica?

 Geralmente o médico detecta a aparição de um sopro ao auscultar o enfermo. Este sopro é o ruído produzido pela turbulência e vibração do sangue que aparecem como consequência da lesão valvular. O sopro costuma ser diferente dependendo do tipo de lesão (estreitamento ou regurgitação) e da válvula (mitral, aórtica, tricúspide ou pulmonar) afectada. Transmite-se através do corpo do indivíduo e o médico o escuta através do fonendoscópio, que transmite o som com grande fiabilidade. O electrocardiograma e a radiografia do tórax permitem apreciar as consequências da doença valvular, mas a exploração fundamental para o seu diagnóstico é a Ecocardiografia com estudo Doppler. Esta técnica permite estudar de forma muito precisa o tipo e grau de lesão da afectação valvular, sendo imprescindível para seu estudo. Se suspeita de doença das artérias coronárias pode ser necessária a realização de coronariografia.  

Tratamento

Nas fases iniciais o tratamento pode ser médico tentando melhorar e prevenir a insuficiência cardíaca. Por isso se utilizam os medicamentos eficazes no tratamento desta. Em ocasiões podem requerer-se antiarrítmicos e/ou anticoagulantes. Em fases mais avançadas e segundo o grau de repercussão da doença, pode estar indicado o tratamento intervencionista através da dilatação valvular ou a intervenção cirúrgica.  A cirurgia destas lesões pode consistir na reparação não sempre possível da lesão valvular, ou na substituição por uma válvula protética artificial na maioria das ocasiões. Estas válvulas artificiais podem ser de materiais mecânicos, precisando do uso de medicamentos anticoagulantes durante a vida ou de materiais biológicos cuja durabilidade é menor.  

Prognóstico:

Geralmente é favorável com tratamento, pelo que é muito importante a eleição do momento do tratamento cirúrgico e intervencionista que mudam de forma radical a evolução natural da doença. A decisão da intervenção se toma antes que se produzam sequelas irreversíveis sobre o próprio coração como a dilatação exagerada das câmaras cardíacas, sobretudo o ventrículo esquerdo que pode conduzir à aparição de insuficiência cardíaca crónica apesar do tratamento cirúrgico.  

Prof. Doutor Carlo Bourbon de Parma


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5 respostas

4 04 2008
gleice keller

Oi gostaria de alguns esclarecimentos minha mãe tem insuficiencia na valvula mitral gostaria de saber se há alguma cirurgia que ela possa fazer para corrigir este problema e quais os riscos.Sem contar com ponte safena. por favor me responda o mais rapido possivel.Obrigada meu email esta aí.

29 09 2008
Cristina

Paciente, 57 anos, apresentou sinais de EAP, fibrilação atrial com resposta ventricular em ECG, dispneia intensa, edema moderado de MMII. Feito cardioverssão eletrica com êxito, medicado para EDA e antiarritimico no internamento de Urgência.
Realizado ECO toraccico que concluiu:Hipertensão pulmonar grave, função sitolica, Ventriculo esquerdo pressionado em repouso, dilatação grave do atrio esq.,estenose mitral de grau moderado, esclerose leve e calcificação leve dos folhetos na valvula aortica, insuficiencia triscupide leve, insuficiencia mitral moderada a grave. No momento paciente internado, estável, ECG normal, ritimo sinusal, sinais vitais dentro da normalidade, sem edemas de MMII ou distenção abdominal,em uso de antiarritimico e anticoagulante. Primeira sugestão pós resultado ECO: cirurgia. Cardiologista clinico solicitou outro ECO trans esofágico.
Pergunta: Seria possível o resultado do primeiro ECO toracico ter sido influenciado pelo período agudo dos sinais de EDA. Poderia o segundo ECO transtoracico no segundo momento com o paciente mais compensado apresentar outro resultado. Seria mesmo necessário intervenção cirurgica, visto que o paciente não tem história anteriores de ECO com tais patologias?
Por favor nos oriente, sou enfermeira, trata-se do meu irmão que sempre foi saudável, sem história de febre reumática na infância ou em qualquer período adulto. Apresentava esporádicamente quadro tipico de asma bronquica, obtendo melhora sempre com medicamentos adequado.
Aguardo resposta em breve. Obrigada

29 09 2008
Cristina

Desculpe a abreviação para Edema agudo do Pulmão EAP, saiu com digitação errada, onde se lê EDA, leia-se EAP(edema agudo do pulmão).
Aguardo resposta, por e-mail, obrigada!

2 10 2008
Cristina

Complementando o comentário acima: o resultado do ECO trans esofagico detectou um coagulo movel por trás da valvula mitral. O paciente vinha com RNI de 2,23, e a indicação cirurgica tinha sido postergada. Para minha surpresa hj na avaliação do cirurgião, foi suspenso o anticoagulante, e existe a possibilidade de preparo para cirurgia na proxima segunda-feira. Pergunto: Com a retirada do anticoagulante como ficaria o risco deste coagulo? Qual seria outra alternativa visto que as patologias da valvula mitral permanencem?
Aguardo resposta. Obrigada. Se possivel com a máxima urgencia ou por e-mail.

11 12 2008
Fernanda figueiredo mota santos

Fiz um exame ecocardiograma em2005 e os resultados foram excelentes, mas estou sentindo muita dor no peito, uma dor que incomoda bastante.Quanto tempo dura um resultado desse tipo de exame? Ou eu terei que refaze-lo de novo?Tenho 34 anos e estou muito preocupado com essas dores.Ja fui em varias especialidades medicas e nao sabem que dor é essa ,me falam que é dor muscular e pronto.Se possivel me responda rapido.O brigado.

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